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As Recomendações da ADA, “The Clinical Practice Recommendations of the American Diabetes Association (ADA)1”, são um grande passo em defesa do uso do teste da A1C para diagnóstico do diabetes e identificação de pacientes com risco para o diabetes.
As novas recomendações indicam que o paciente com A1C igual ou superior a 6,5%, sejam identificados como portadores de diabetes sem a necessidade de fazer um outro teste confirmatório.
Indivíduos com A1C entre 5,7%-6,4% podem ser considerados como pacientes com risco para desenvolver a doença, condição anteriormente referida como pré-diabetes.
Antes desta declaração, os únicos testes reconhecidamente aceitos para o diagnóstico de diabetes em indivíduos adultos, salvo gestantes, eram os testes de glicemia plasmática (≥126 mg/dl em jejum; ≥200 mg/dl randomicamente obtido com sintomas de diabetes e ≥200 mg/dl após teste de tolerância à glicose).
O uso da A1C para teste e diagnóstico do indivíduo portador de diabetes proporciona algumas vantagens distintas para os pacientes, cuidadores e profissionais da área. Este teste não demanda que amostras sejam colhidas após uma noite de jejum, nemu 2 horas após a administração da glicose oral.
Apesar de a ADA (American Diabetes Association) recomendar o teste como uma alternativa para as medições anteriormente aplicadas, acima citadas (glicemia plasmática de jejum e teste de tolerância à glicose oral de 2 horas), é bem provável que a A1C venha a substituí-las, devido à sua praticidade.
O fundamento para o uso da A1C para diagnóstico está amplamente baseado em dados que mostram que as complicações microvasculares do diabetes (retinopatia, nefropatia e neuropatia) tendem a acometer indivíduos com A1C ≥ 6,5%.
A correlação destas complicações com a A1C é tão confiável quanto outras definições de diabetes de testes de glicemia de jejum e de tolerância à glicose.
A Sociedade Endócrina (Endocrine Society) apóia as recomendações da ADA no uso da A1C como uma opção para o diagnóstico do diabetes devido à sua correlação próxima com as complicações microvasculares e à praticidade e facilidade de seu uso. Entretanto, é importante estar ciente de que o uso desse teste deverá ser bem compreendido pelos clínicos e pela população em geral.
A A1C ≥ 6,5% identifica um número menor de indivíduos para o diabetes do que os outros testes mencionados.
O exame de dados da população nacional2 pode ser de 19,7 milhões de adultos norte-americanos identificados como portadores de diabetes, contra os 21,5 milhões identificados através da glicemia plasmática de jejum e 26,5 milhões identificados através do teste de tolerância à glicose.
A restrição na definição do diabetes adotada pelo teste da A1C pode causar um impacto no número de pacientes que seriam tratados de acordo com as recomendações para controle do risco cardiovascular3 da Diretriz da Prática Clínica da Sociedade Endócrina (Endocrine Society´s Clinical Practice Guideline).
Atualmente, defende-se um tratamento mais agressivo para a dislipidemia e para a hipertensão em todos os portadores de diabetes.
Um número significativo de pacientes diagnosticados diabéticos pelo critério da glicemia plasmática, agora não serão assim diagnosticados pelo teste da A1C. Tais indivíduos deveriam ser considerados pacientes de alto risco para doença cardiovascular, com indicação de tratamento com metas mais agressivas para dislipidemia e hipertensão. A Sociedade Endócrina recomenda um controle de risco cardiovascular mais restrito aos pacientes com síndrome metabólica e com A1C superior a 5,7%.
Os clínicos também devem estar alertas para o fato de haver um número de condições clínicas onde a A1C e a média glicêmica não são tão correlatas, incluindo-se: deficiência férrica, anemia hemolítica, várias hemoglobinopatias, talassemias, esferocitose hereditária, maligdades e doenças hepáticas e doenças renais crônicas com gravidade.
Pacientes nessas condições não devem fazer o teste da A1C para diabetes ou diagnóstico.
Não se sabe ao certo quais dos novos testes “point-of-service” de glicohemoglobina são necessários no diagnóstico do diabetes.
Conforme descrito na Declaração da ADA, só devem ser utilizadas técnicas validadas e padronizadas para o teste da A1C.
Os testes “point-of-service” deverão ser validados individualmente.
Também há evidência de estudos publicados em sites geográficos múltiplos, que o uso da A1C para o diagnóstico do diabetes pode resultar em diferenças significativas na prevalência, quando comparado com diferentes etnias e populações.
A A1C não deverá substituir o teste da glicemia plasmática de jejum nem outros testes glicêmicos que contribuam para o diagnóstico de pacientes portadores de diabetes tipo 1, pacientes pediátricos e pacientes gestantes.
A ADA também recomenda que a A1C seja utilizada para diagnosticar uma categoria separada de indivíduos, que estejam especificamente sob risco de desenvolver diabetes, como por exemplo os pré-diabéticos.
A Sociedade Endócrina apóia este conceito geral e está bem claro que a definição da A1C proposta seja muito mais restritiva do que outras definições baseadas na glicemia plasmática.
No critério da A1C de 5,7% a 6,4%, a prevalência do pré-diabetes nos EUA seria de aproximadamente 12% para a população adulta, contrapondo-se aos 25% que utilizam o critério da glicemia plasmática de jejum2.
Por outro lado, o uso da A1C ou da glicemia de jejum alterada aumentaria o percentual de pré-diabéticos para 33%.
As implicações individuais e na saúde pública desta recontagem de pacientes de risco para diabetes precisa ser melhor investigada e avaliada. ■
- Diabetes Care, Janeiro 2010, volume 33, suplemento 1
- “Centers for Disease Control and Prevention”, “National Health and Nutrition Examination Survey”; 2005-2006 “NHANES”
- Rosenzweig J. et al – Primary Prevention of Cardiovascular Disease and Type 2 Diabetes in Patients at Metabolic risk: Na Endocrine Society clinical Practice Guideline, J. clin. Endocrinol. Metab. 2008; 93:3671-3689
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