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ADEUS “Síndrome Metabólica” descanse em PAZ!
Fonte: ANAD
Notícia publicada em: 11.06.2010
Autor: Dr. Fadlo Fraige Filho


ADEUS “Síndrome Metabólica” descanse em PAZ!

Inicio este editorial com a ultima frase do artigo / comentário dos Drs. K. Borch – Johnsen do Steno Diabetes Centre Denmark , e o Dr. N. Warcham do Institute of Metabolic Science de Cambridge, UK, publicado na “Diabetologia 2010/153”, que passamos a analisar.

                        A EASD (European Association for the Study of Diabetes) e a ADA (American Diabetes Association) fizeram uma declaração conjunta em uma extensa revisão critica sobre a síndrome metabólica (S.M.) “Diabetologia 48-1684 – 1699) e apontaram:

  1. Os critérios são ambíguos e incompletos
  1. Os fundamentos para os limites são mal definidos.
  2. A importância de incluir Diabetes na definição é questionável
  3. É incerto o papel da resistência à insulina como fator etiológico unificador.
  4. Não há embasamento claro para inclusão ou exclusão de outros fatores de risco para DCV.
  5. O valor de risco da DCV é variável e depende de fatores de risco específicos atuais.
  6. O risco de DCV associada à “Síndrome” parece não ser maior do que a soma de suas partes
  7. O tratamento da “Síndrome” como um todo não é diferente do tratamento de  cada um de seus componentes
  8. O valor médico do diagnostico da “Síndrome” é obscuro

 

- Toda síndrome pode ser definida com a soma de sinais ou de sintomas que definem um estado mórbido.

- A “Síndrome Metabólica” é claramente um agrupamento ou conjunto de fatores de risco e o foco tem sido a identificação de um único fator que preenchesse esse papel.

- Como mostra o relatório do Conselho de Experts – WHO (Organização Mundial da Saúde) (Diabetologia 2010/ 53) o papel de cada um desses fatores como mecanismo básico para o agrupamento de fatores de risco ainda permanece obscuro, o qual sozinho questiona a existência da “síndrome metabolica”

- Caso se aceite o termo “Síndrome Metabolica” e concorde que a resistencia à insulina, obesidade central, pressão arterial elevada, colesterol/LDL e triglicerides elevados, HDL reduzido e glicemia elevada são componentes da “Síndrome”, então, a questão seguinte é se a síndrome auxilia, de alguma forma, os pacientes, profissionais da saúde e a sociedade como um todo.

                        Na pratica o conceito da “Síndrome Metabólica” NÃO ajuda.

  1. Na identificação de pacientes com risco de desenvolver DCV ou Diabetes.
  2. Na melhora do tratamento de pacientes portadores de quaisquer de seus componentes.
  3. Na compreensão melhor da razão pela qual alguns individuos desenvolvem D.M ou DCV.

 

- A presença da síndrome metabólica não é um preditor de taxas de morbi-mortalidade para DCV, mas prediz o risco dos componentes individuais, superada pelo score de risco de FRAMINGHAN.

- Mesmo seu uso clinico é limitado, pois não tem um mecanismo básico único a ser tratado, não temos tratamentos específicos para obesidade central, e os tratamentos disponíveis para resistência insulínica ainda não demonstraram uma redução significativa do risco de desenvolver DCV.

- Apesar das inúmeras pesquisas e publicações sobre a “SM” isto não melhorou a compreensão do desenvolvimento de DCV, ou Diabetes.

- O conselho de Experts de WHO (Organização Mundial de Saúde) em edição da Diabetologia, 2010,53, conclui que a “SM” tem utilidade pratica limitada como diagnostico ou como ferramenta para o controle da doença. Recomenda que cada país desenvolva suas estratégias de prevenção e identificação com custo beneficio para o risco da DCV e do Diabetes.

- Finaliza concluindo que precisamos retornar à ciência para compreendermos as vias metabólicas básicas para o desenvolvimento do Diabetes e da DCV.

                        Mas uma vez vemos “novos conceitos” e “modismos” de se “rotular” com um novo nome aquilo que já existe, levando a confusões e dificultando o entendimento pela classe médica generalista e outras especialidades. A busca do “modismo” destacaria aqueles que o inventaram, porém a interpretação de um processo fisiopatológico evolutivo, e sem duvída tendo o DM como base, é que acabou gerando todo o “mal entendido”, ou uso além do seu criador.

- O conceito da “SM” desde o lançamento por Dr. Reaven em 1988, em que buscou um elo entre diabetes e a DCV mudou com o passar dos anos e foram-se agregando a ele novos conhecimentos e seguindo também novos rumos ao sabor dos interesses econômicos, de pesquisadores deslumbrados ao descobrir uma outra doença e não uma síndrome na verdadeira acepção da palavra.

- Assim surgiram cursos, simpósios, congressos de SM, e foi a brecha para que a Endocrinologia perdesse parte de seu grande filão de trabalho para outras especialidades, ávidas pela grande prevalência populacional do DM.

                        Se observarmos o que ocorre hoje com alguns protocolos de pesquisa, veremos que foram encomendados e pagos pelos grandes grupos farmacêuticos, cujos resultados finais também são “distorcidos”, pois com matemática e estatística tudo pode ser feito, desde metanalises propositalmente encomendadas e distorcidas até significâncias não significantes. Estes são fatos que tem abalado a medicina baseada em evidencias manuseados pelos interesses econômicos. Podemos entender também que nestes 22 anos de SM tenham também sido manuseados aos sabores da vaidade de pesquisadores, das “fabricas de trabalhos científicos”, na busca de fundos e dos interesses pessoais e de disputa de definições entre as entidades cientificas internacionais.
                        Assim concordo como os autores citados no inicio deste de que é chegada a hora de “aposentar” a “SM” e que ela descanse em paz.

 

Prof. Dr. Fadlo Fraige Filho.
 

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