O custo da saúde no Brasil
Acabam de ser divulgados, em dezembro de 2009, os números dos custos da saúde no Brasil, causando espanto, a constatação de que a cada R$ 100,00 gastos nessa área, as famílias são responsáveis por R$ 57,39, o poder público por apenas R$ 41,59 e os serviços sociais privados respondem pelo valor restante de R$ 1,02.
Na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – O.C.D.E. – que reúne as nações mais desenvolvidas no mundo, esses números são muito diferentes, em média, os governos respondem por 72% dos gastos com saúde e as famílias com apenas 28%. Uma das exceções é o caso dos Estados Unidos, onde o poder público tem uma pequena presença na área da saúde, o que levou à exclusão, naquele país, de quase 40 milhões de pessoas que hoje vivem sem nenhuma cobertura de saúde, pois, os planos privados não tem a concorrência, nem o controle do poder público. Fato este que o presidente Barack Obama se esforçou para mudar, de modo a fazer um tipo “SUS”, “made in USA”, mas mesmo assim os gastos, com essa pequena participação, são muito maiores do que valor que o governo brasileiro gasta com a saúde.
De acordo com o IBGE, as despesas com saúde, da família brasileira – sem incluir a compra de remédios – chegou a 3,1% do PIB em 2007, e corresponde a consultas e exames realizados em ambientes ambulatoriais .
Os planos de saúde – seguro saúde – custaram à saúde 0,4 % do PIB daquele ano e os gastos com atendimentos hospitalares e atendimentos médicos, atingiram 1% do PIB.
Com médicos as famílias gastaram 1,7 % do PIB, que corresponde a quase 10 vezes o valor que o governo pagou pelos remédios que distribuiu gratuitamente. Diga-se que este valor , cerca de 2,5 bilhões de reais, é dos impostos que pagamos que estão embutidos nos medicamentos,( representam, daqueles que compram remédios), 9 bilhões. Assim sem gastar nada o governo pode quadruplicar sua distribuição de medicamentos.
Esses dados e essas comparações não deixam duvidas de que, como gasta menos do que devia e muitas vezes gasta mal, o estado brasileiro impõe aos cidadãos um custo muito grande com a saúde.
A distribuição gratuita de medicamentos pelo SUS é limitada aos remédios básicos, utilizados nas UBSs, para doenças de uso contínuo e de alto custo.
Com relação ao Diabetes são excluídos os análogos de Insulina e medicamentos orais mais eficazes e mais modernos.
O que o estudo mostra é que apesar das determinações constitucionais e da retórica oficial sobre a universalização dos serviços gratuitos, a saúde continua sendo uma pesado item do orçamento familiar, não cumprindo o seu fator social, estando defasado na sua atualização , dividindo a judicialização das necessidades dos portadores das doenças crônicas.
Fonte de consultas: IBGE
Atenciosamente,
Prof. Dr. Fadlo Fraige Filho
Presidente ANAD
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