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Checape molecular
Fonte: Correio Braziliense
Notícia publicada em: 09/02/2018
Autor: Vilhena Soares

Há problemas de saúde que se caracterizam por alterações no organismo bem definidas, como a febre causada por uma infecção ou a falta de ar desencadeada pela asma. No caso de distúrbios psiquiátricos, porém, esses sinais nem sempre são tão evidentes. Em busca de pistas fisiológicas de doenças do tipo, pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, analisaram amostras cerebrais pós-morte de 700 pessoas e descobriram mudanças a nível molecular no autismo, na esquizofrenia, no transtorno bipolar, na depressão e no alcoolismo. Os achados da pesquisa, publicados na revista Science desta semana, poderão ajudar no diagnóstico e no tratamento dessas enfermidades.

Em uma pesquisa anterior, os investigadores analisaram o RNA (a forma como o gene se expressa) no cérebro de crianças e adultos que haviam sido diagnosticados, em vida, com autismo. “Encontramos uma patologia molecular compartilhada e percebemos que poderíamos usar esse método para começar a entender a sobreposição quantitativa entre distúrbios, bem como características específicas”, conta ao Correio Daniel Geschwind, autor do estudo e professor de neurologia, psiquiatria e genética humana da Universidade da Califórnia.

Segundo o investigador, estudos científicos comprovaram que certas variações no material genético colocam as pessoas em risco de transtornos psiquiátricos, mas que o DNA não “conta toda a história” do distúrbio. Em busca de mais respostas, ele os colegas resolveram analisar as moléculas de RNA nas 700 amostras de tecido cerebral e as comparar com as de indivíduos que não tiveram os transtornos psiquiátricos.

Os resultados do novo estudo de patologia molecular mostraram sobreposição significativa — ou seja, similaridades — entre distúrbios distintos, como o autismo e a esquizofrenia. “Vemos algumas mudanças compartilhadas, que envolvem, por exemplo, a redução na sinalização de células da glia (que fazem parte do sistema nervoso) mais pronunciada no autismo, algo visto como padrão também na esquizofrenia e no transtorno bipolar, mas, nesta última, isso é menos expressivo”, frisa Geschwind.

A pesquisa também apontou algumas especificidades. Segundo o investigador, no transtorno bipolar, percebeu-se um padrão totalmente diferente que, em termos gerais, mostra uma resposta relacionada ao efeito dos hormônios do estresse sobre o cérebro. “O alcoolismo não compartilha nenhum desses padrões, ele se mostra bem diferente, assim como a depressão”, complementa.

Estigmas
Fernanda Coêlho Costa, psiquiatra do Instituto Castro e Santos, em Brasília, avalia que o trabalho americano auxilia a reduzir preconceitos ligados a esses problemas de saúde. “Demonstrar que existe uma causa física ajuda a desmitificar os transtornos psiquiátricos, o que contribui para a redução do preconceito. Os sintomas psiquiátricos são, predominantemente, comportamentais, mas há alteração na química cerebral como causa. Dessa forma, o estudo facilita a compreensão dessas enfermidades como doenças, justamente por conectar o corpo à mente”, explica.

Geschwind destaca a aplicabilidade médica do trabalho. Ele acredita que a pesquisa possa ajudar no desenvolvimento de intervenções mais eficazes. “Esse conhecimento começa a estabelecer uma base para a compreensão das mudanças celulares e moleculares que caracterizam esses distúrbios. Entender isso nos permitirá desenvolver terapias mais direcionadas, semelhantes ao que acontece com os trabalhos contra o câncer”, destacou.

Costa também crê que o trabalho americano possa contribuir com avanços clínicos na área. “O diagnóstico em psiquiatria é baseado nos sintomas apresentados, ou seja, quando a doença já está instalada e causando prejuízos para a pessoa. A possibilidade de exames que auxiliem em um diagnóstico precoce, antes do início dos sintomas, permitiria um trabalho de prevenção. Além disso, o tratamento se tornaria mais eficaz por agir diretamente nas áreas lesionadas. Assim, a longo prazo, poderíamos ter expectativas de cura para essas doenças”, opina.

Há, porém, um caminho a ser percorrido. A equipe de pesquisadores ressalta que as mudanças moleculares detectadas no cérebro estão ligadas a causas genéticas subjacentes, mas que ainda não são conhecidos os mecanismos pelos quais esses fatores genéticos levariam às alterações. “Então, embora agora tenhamos alguma compreensão das causas, e esse novo trabalho mostra as consequências, temos que entender os mecanismos pelos quais isso ocorre, de modo a desenvolver a capacidade de mudar esses resultados”, ressalta Geschwind. “Esse é realmente apenas o começo. Onde essas mudanças ocorrem e como elas afetam a sinalização e a função cerebral são pontos que precisam ser mais investigados, usando técnicas anatômicas, como a microscopia, bem como a análise no nível celular.”



Palavra de especialista

Melhores escolhas

“Essas descobertas representam mais um passo na direção da elucidação da relação entre os fatores genéticos que predispõem um indivíduo a apresentar um transtorno psiquiátrico e os fatores ambientais que ativam esses elementos genéticos, assim como de que forma eles se expressam no funcionamento das células cerebrais. Pesquisas dessa natureza poderão trazer descobertas que auxiliarão não só no diagnóstico mais preciso de doenças como o transtorno do espectro autista, o transtorno do humor bipolar e a esquizofrenia, como também poderão ajudar o médico a definir qual medicamento é mais eficaz para o tratamento do indivíduo, baseando-se no seu código genético, o que possibilitará tratamentos mais efetivos, com menos efeitos colaterais e, em longo prazo, mais baratos”

Celso Garcia Júnior, médico psiquiatra e professor do curso de medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic, em São Paulo

 



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